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Economia Recuo do IOF

Recuo no IOF compromete credibilidade e indica insegurança fiscal, avalia economista

Recuo no IOF compromete credibilidade e indica insegurança fiscal, avalia economista

04/06/2025 19h38
Por: Gilberto Martins Fonte: tvsabugi
Recuo no IOF compromete credibilidade e indica insegurança fiscal, avalia economista

As novas propostas para substituir a alta do Imposto de Operações Financeiras (IOF) foram apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na tarde desta terça-feira (3). No entanto, o suspense será mantido até este domingo (8), quando serão apresentadas ao Congresso.

Este momento oficializa o recuo do Governo Federal perante às críticas do mercado financeiro. O economista Bruno José, em entrevista ao Portal WSCOM, afirmou que a ação pode singnificar uma insegurança nas tomadas de decisão.

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“A decisão do governo de revisar o aumento do IOF, após a reação negativa do mercado e do Congresso, sinaliza insegurança na condução da política econômica. Ademais, esse recuo pode comprometer a credibilidade do governo, ao reduzir a arrecadação prevista pelo governo e possivelmente exigir novos contingenciamentos para compensar a perda de receita”, pontuou.

Possíveis alternativas

Até o momento, as sugestões do que pode englobar o novo pacote de mudanças miram no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Está previsto uma complementação da União para este fundo em 2026, saltando de 21% para 23%. No entanto, uma das medidas apresentadas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pode adiar a alta.

Segundo o Bruno José, embora essa seja uma solução aceitável para o curto prazo, pode refletir em problemas maiores posteriormente.

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“Adiar a elevação da complementação da União ao Fundeb pode aliviar pressões fiscais imediatas, mas representa um risco para a sustentabilidade do financiamento da educação pública a longo prazo, pois posterga ajustes necessários para equilibrar as contas e garantir recursos adequados ao setor. Medidas compensatórias temporárias podem ser insuficientes para manter o equilíbrio fiscal duradouro”, disse.

Por outro lado, uma outra solução que pode ser apresentada aos líderes partidários inclui a redução dos benefícios tributários.

“Essa pode ser uma estratégia mais eficiente e menos controversa para o equilíbrio das contas públicas do que o aumento do IOF, pois ataca diretamente distorções e renúncias fiscais que impactam a arrecadação. Setores com maiores incentivos fiscais, como indústria, serviços e agronegócio, podem ser mais afetados, dependendo dos benefícios revisados. No entanto, ainda deve haver ruído político e empresarial”, explicou o economista.

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A corrida para conseguir fechar as contas públicas faz com que outro assunto debatido recorrentemente volte à tona: a limitação dos supersalários da esfera pública. Esse também é um possível caminho a ser seguido neste momento, embora tenha menos força que os demais.

Para Bruno, “a limitação dos supersalários no funcionalismo público — remunerações acima do teto constitucional de R$ 46.366,19 — pode representar uma economia significativa para os cofres públicos. No entanto, é fundamental observar o comportamento da concessão de benefícios e auxílios a servidores com altas remunerações. De modo geral, a medida tende a reduzir desigualdades salariais dentro do setor público, mas seu impacto efetivo dependerá do tratamento dado às exceções”.

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Debates internos

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), afirmou que o Executivo e o Legislativo estão andando em sintonia nos debates sobre o pacote de medidas de compensação do IOF. Para Bruno, a concretização deste cenário é essencial para garantir a segurança dos investidores neste momento.

“O ambiente político para aprovação de medidas estruturantes como a reforma tributária e o pacote alternativo ao IOF é delicado, com forte resistência do Legislativo e pressão de diversas bancadas para revogar ou alterar medidas como o aumento do IOF. O alinhamento entre Executivo e Legislativo é fundamental para garantir segurança jurídica e confiança dos investidores, mas atualmente essa convergência enfrenta dificuldades”, argumentou.

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Reforma estrutural

Com apenas especulações sobre os novos pacotes de mudanças, as expectativas giram em torno de soluções imediatistas que não podem ser ineficientes a longo prazo. Bruno explica esse cenário e aponta a necessidade de reformas estruturais na política econômica do país.

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“As medidas discutidas até o presente momento são paliativas, e provavelmente não serão suficientes para garantir a sustentabilidade fiscal do país a médio e longo prazo. Novas reformas estruturais, especialmente na área tributária e de gastos públicos, serão necessárias para assegurar o equilíbrio fiscal duradouro e a confiança dos mercados”, concluiu.

Fonte: wscom