Um protesto liderado por mulheres que pede justiça para Patrícia Roberta e proteção para as outras mulheres citadas em uma lista encontrada na casa do único suspeito do feminicídio da jovem, Jonathan Henrique, aconteceu na tarde desta quinta-feira (29), no Parque Sólon de Lucena, a Lagoa, no Centro de João Pessoa. O corpo de Patrícia foi enterrado quase que no mesmo horário do protesto, na cidade de Caruaru, Pernambuco, onde ela vivia.
A cantora e coordenadora estadual do Movimento de Mulheres Olga Benário, Vitória Dias, contou que o ato saiu das proximidades da parada de ônibus do Parque da Lagoa e caminhou até a Praça das Mulheres, que fica localizada no canteiro dos Ipês do parque, onde um Ipê Roxo foi plantado - representando Patrícia Roberta e outras mulheres que não são da Paraíba e foram assassinadas no estado.
Vitória disse que o protesto se tornou necessário pois o feminicídio de Patrícia desembocou nas mulheres do estado um sentimento de insegurança muito grande.
De acordo com a delegada Emília Ferraz, após a repercussão da morte de Patrícia, outras mulheres denunciaram anonimamente Jonathan, em relação a sua personalidade, seu comportamento ‘agressivo’ e o temperamento ‘explosivo’, durante relacionamento amoroso.
"Uma das coisas que esses feminicídios tem em comum é que são ocasionados por pessoas próximas a essas mulheres. Amigos, ex-companheiros, companheiros, irmãos. Isso significa que nem nas nossas casas, nem ao lado das pessoas que amamos e que chamamos de companheiros, nós estamos seguras. É essa impressão que nós temos", disse a coordenadora do Movimento de Mulheres Olga Benário.
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Manifestantes se reuniram no Parque da Lagoa, em João Pessoa, pedindo justiça para Patrícia Roberta — Foto: Arquivo/Movimento de Mulheres Olga Benário
Durante a perícia na casa de Jonathan Henrique, único suspeito do crime, foram encontrados livros supostamente relacionados a ocultismo, um altar, uma lista com nomes de mulheres (incluindo o de Patrícia e o da companheira atual de Jonathan), fronhas com possíveis manchas de sangue, roupas masculinas com algo similar a sêmen, uma lista de desejos (como se tornar "visivelmente mais atraente" e cobrir tatuagens), manuscritos "perturbadores" e indícios de acesso a deep web.
A coordenadora explica que, acima de tudo, a proteção dessas mulheres citadas é essencial até o final da investigação, pois apesar do suspeito estar preso, elas ainda podem estar em perigo. Além disso, investigar o acesso do suspeito na deep weeb é importante, visto que grupos misóginos costumam frequentar a rede.
"(...) existem correntes na internet, na deep weeb, que são lugares, são arsenais para esses homens se alimentarem da pornografia, de curso de dominação as mulheres; de enganação a meninas. Existem grupos que debatem esse tipo de situação e que precisam ser investigados e que precisam ser destruídos de uma vez por todas. Existem mais desses na sociedade. Ele não está sozinho", disse.
O Instituto de Polícia Científica, de acordo com a perita do caso Amanda Melo, irá analisar os manuscritos e comparar com a letra de Jonathan, além de fazer o exame de DNA nos materiais encontrados no apartamento e a análise do conteúdo dos celulares e notebooks.
Apesar disso, conforme Vitória, a luta não acaba com a resolução do caso. Criar uma corrente de conscientização para mostrar que o homem não é dono do corpo da mulher é também uma forma de avançar com a consciência da população como todo e evitar que esses casos aconteçam.
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