prefeituras brasileiras chegaram ao limite. Asfixiados por uma carga crescente de atribuições, repasses defasados do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e orçamentos que não condizem com a realidade real das cidades, os gestores locais enfrentam uma engenharia financeira quase impossível. O cenário se agrava com a obrigação de repassar verbas impositivas para legislativos locais e a necessidade recorrente de cobrir o rombo de obras públicas com impostos próprios que deveriam ir para a saúde e educação básicas.

Diante desse cenário de sufocamento, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) abriu a Mobilização Municipalista na sede da entidade. O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, convocou prefeitos de todo o país para intensificar a articulação política no Congresso Nacional. O objetivo principal é conter o avanço das chamadas “pautas-bomba” — projetos de lei e emendas que criam despesas bilionárias para os cofres locais sem indicar de onde virá o dinheiro.

“A aprovação de um piso já derruba uma conquista. Temos que atacar aqui e tentar conquistar lá”, alertou Ziulkoski, apontando que mais de 80 propostas em tramitação no Congresso hoje ameaçam a estabilidade financeira das cidades.

Entre as maiores preocupações dos gestores, destacam-se duas medidas de altíssimo impacto fiscal:

Para equilibrar a balança, os prefeitos defendem a aprovação das PECs 231/2019 e 25/2022. As propostas tramitam juntas e preveem a ampliação dos repasses do FPM:
Parlamentares presentes no encontro sugeriram desmembrar as duas medidas para facilitar e acelerar a aprovação de cada uma nas casas legislativas.

Outra estratégia vital para a autonomia local é a PEC 253/2016. A proposta autoriza entidades nacionais de representação municipal, como a CNM, a propor Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) e Ações Declaratórias de Conformidade (ADCs) diretamente no Supremo Tribunal Federal (STF).

O relator da proposta, deputado Hildo Rocha (MDB-MA), defendeu que a medida blindará os municípios contra obrigações financeiras impostas sem custeio correspondente, violando a Emenda Constitucional nº 128/2022. Enquanto a PEC não é aprovada, a CNM atua como amicus curiae na Proposta de Súmula Vinculante (PSV) 150, exigindo que o impacto fiscal de novas leis seja obrigatoriamente avaliado antes da aprovação.
Abaixo estão os principais projetos que mobilizam os prefeitos em Brasília, divididos entre os que garantem fôlego e os que ameaçam o caixa:
| Proposta | Objetivo / Impacto | Status / Posição Defendida |
| PEC 253/2016 / PL 3640/2023 | Dá direito à CNM de acionar o STF diretamente através de ADIs. | Prioridade de Defesa |
| PEC 25/2022 / PEC 231/2019 | Cria adicionais no repasse do FPM. | Prioridade de Defesa |
| PEC 74/2019 | Transfere aos municípios a competência para instituir o ITR. | Prioridade de Defesa |
| PL 2952/2025 | Adicional de insalubridade para a educação. Impacto de R$ 26 bilhões. | Preocupação / Alerta de Impacto |
| PEC 14/2021 | Aposentadoria especial para agentes de saúde. Impacto de R$ 70 bilhões. | Preocupação / Alerta de Impacto |
| PL 1365/2022 | Piso salarial para médicos e dentistas (R$ 13,6 mil). Impacto de R$ 25,9 bilhões. | Preocupação / Alerta de Impacto |
| PEC 221/2029 | Redução da jornada máxima semanal de trabalho. | Preocupação / Alerta de Impacto |

A mobilização também reserva espaço para a negociação direta com o Poder Executivo. Está prevista uma reunião com representantes da Presidência da República para tratar de uma demanda iniciada na XXVII Marcha a Brasília: a redução da alíquota da contribuição previdenciária patronal incidente sobre os profissionais de saúde e educação. Se aceita, a medida pode garantir uma economia anual de R$ 5 bilhões aos cofres públicos municipais, trazendo o tão esperado suspiro financeiro para quem governa na ponta.
Redacao e Foto: Agência CNM/Divulgação
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