Thursday, 16 de April de 2026
83 98747 9281
Polícia Adoção ilegal

Deputada paraibana é acusada de retirar bebê de abrigo para "adoção à brasileira" e juíza marca audiência de instrução

Deputada paraibana é acusada de retirar bebê de abrigo para "adoção à brasileira" e juíza marca audiência de instrução

19/03/2026 00h52
Por: Gilberto Martins Fonte: tvsabugi
Deputada paraibana é acusada de retirar bebê de abrigo para "adoção à brasileira" e juíza marca audiência de instrução

A Justiça da Paraíba, através da juíza Vanessa Andrade Dantas Liberalino da Nóbrega, marcou para 9 de abril de 2026 a audiência de instrução do processo que investiga a deputada estadual Jane Panta por suposta retirada irregular de uma criança de um abrigo institucional no município de Santa Rita. Como verificou o ClickPB, a audiência está marcada para acontecer às 10h no fórum de Santa Rita.

A ação foi proposta pelo Ministério Público da Paraíba, que acusa a parlamentar de ter cometido o crime previsto no artigo 237 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que trata da subtração de criança para colocação em lar substituto sem autorização judicial.

PREFEITURA_SANTA_LUZIA

De acordo com a denúncia, os fatos teriam ocorrido em junho de 2017, quando Jane Panta ocupava o cargo de secretária de Assistência Social de Santa Rita.

O portal de notícias ClickPB entrou em contato com a deputada Jane Panta, que declarou não ter nenhum conhecimento sobre o processo. A deputada afirmou que “o conhecimento que tenho sobre o abrigo é que coloquei uma emenda de 400 mil reais para compra de uma casa própria para essas crianças e até hoje não vi nenhuma movimentação para compra do imóvel tendo em vista que o dinheiro está na conta da prefeitura a um ano”.

No documento, a defesa da deputada nega as acusações e sustenta que a retirada da criança ocorreu exclusivamente para garantir atendimento médico, afirmando ainda que não há provas de intenção de adoção ilegal.

PREFEITURA_SAOMAMEDE

“Ainda que se entendesse que houve alguma irregularidade na condução da menor, os fatos narrados não se enquadram no tipo penal do artigo 237 do ECA. Isso porque o dispositivo exige um especial fim de agir, que consiste na subtração da criança ou adolescente para fins de colocação em lar substituto. No entanto, inexiste qualquer demonstração de que a acusada tenha agido com essa intenção. A conduta narrada na denúncia limita-se a afirmar que a menor foi retirada para atendimento médico no Hospital da Unimed João Pessoa-PB, sem qualquer prova concreta de que o objetivo final fosse entregá-la a terceiros de forma irregular”, cita a defesa em resposta à acusação.

Dra Juliana

A defesa ainda arrolou três testemunhas a serem intimadas, considerando que são imprescindíveis no processo. No documento, a defesa se reserva ao direito de se manifestar sobre o mérito da ação penal apenas nas alegações finais, quando pretende pleitear pela absolvição da acusada.

O processo segue em fase de instrução, quando serão ouvidas testemunhas e colhidos novos elementos para decisão judicial.

Segundo o Ministério Público, a então gestora retirou da Casa de Acolhida uma bebê com apenas quatro meses de idade, alegando que a levaria para atendimento médico. No entanto, a investigação aponta que a criança teria sido entregue a um casal interessado em realizar uma adoção irregular, conhecida como “adoção à brasileira”.

CAMARA_SANTA_LUZIA

Entre as provas citadas pela promotoria estão a negativa do hospital mencionado pela acusada, além de depoimentos de servidores da instituição de acolhimento que relataram pressão para entrega da criança.

Entenda o caso envolvendo a deputada

De acordo com o documento que o ClickPB teve acesso, Jane Panta, ainda quando atuava como secretária de Assistência Social na Prefeitura de Santa Rita, subtraiu a bebê que tinha apenas quatro meses de vida da Casa de Acolhida, onde estava sob determinação judicial.

Jane teria alegado que iria conduzir a criança para atendimento médico e dispensou acompanhamento das cuidadoras da instituição, entregando o bebê a um casal que tinha o interesse em proceder com uma “adoção à brasileira”, considerada ilegal.

PREFEITURA DE VARZEA

A acusação aponta que o apartamento do casal que recebeu a criança já estava previamente preparado para receber o bebê, com um quarto montado e decorado, “o que evidencia a premeditação e o dolo específico da acusada em destinar a infante a um lar substituto, à margem de qualquer procedimento legal”, relata o texto.

Ainda de acordo com o documento, a magistrada da Vara da Infância e Juventude de Santa Rita, após receber a informação sobre retirada da criança do abrigo, buscou contato com Jane Panta, que afirmou falsamente que a bebê estava internada no Hospital da Unimed. Esta afirmação teria sido negada através de declaração oficial da unidade hospitalar.

Assis autopeças

Já a ex-coordenadora da Casa de Acolhida, Rejane Ribeiro da Cruz Lourenço, declarou ter sido pressionada por Jane Panta sobre a adoção da criança, tendo sido levada posteriormente para a residência do casal em João Pessoa, onde pôde constatar que a bebê havia sido entregue e que o local estava todo preparado.

Juíza marca audiência em processo que investiga deputada Jane Panta
Juíza marca audiência em processo que investiga deputada Jane Panta

 

Deputada Jane Panta

A deputada Jane Panta assumiu a titularidade da Secretaria de Assistência Social de Santa Rita em 2017 quando seu esposo, Emerson Panta, era o prefeito da cidade localizada na Região Metropolitana de João Pessoa.

HOSPITAL SAO FRANCISCO

Jane Panta concorreu ao mandato de deputada estadual em 2018, ficando na suplência e assumindo a titularidade do cargo em 2021, após o falecimento do deputado João Henrique em decorrência da Covid-19. Em 2022 foi eleita deputada estadual na Assembleia Legislativa da Paraíba. Atualmente é filiada ao Partido Progressista.

ClickPB com tvsabugi