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Juiz da Paraíba investigado por descontos irregulares em aposentadorias proferiu decisão ‘relâmpago’ em 16 minutos

Juiz da Paraíba investigado por descontos irregulares em aposentadorias proferiu decisão ‘relâmpago’ em 16 minutos

08/06/2025 18h03 Atualizada há 9 meses
Por: Gilberto Martins Fonte: tvsabugi
Juiz da Paraíba investigado por descontos irregulares em aposentadorias proferiu decisão ‘relâmpago’ em 16 minutos

O nome do Juiz Glauco Coutinho Marques está no centro de investigação do Ministério Público da Paraíba (MPPB) que apura a concessão de decisões judiciais supostamente fraudulentas que autorizaram descontos indevidos em benefícios previdenciários de aposentados. A atuação do magistrado é um dos principais focos da Operação Retomada, deflagrada pelo MPPB em parceria com a Polícia Federal.

Segundo os investigadores, o juiz concedeu decisões relâmpago favorecendo entidades suspeitas, como a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB), sediada no Ceará. Uma dessas decisões foi proferida em apenas 16 minutos e beneficiou diretamente a entidade.

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Em documentos encaminhados à Justiça, divulgados pelo Metropoles, o Ministério Público afirma que a AAPB, assim como outras associações, “têm atuado de forma reiterada para captar idosos com o objetivo de contrair empréstimos consignados, disfarçados de contribuições associativas”. Ainda de acordo com o MPPB, essas entidades, valendo-se de práticas enganosas e manipulação judicial, como no caso do juiz Glauco Marques, “têm promovido homologações fraudulentas que autorizam descontos em folhas de pagamento, com a justificativa de contribuição associativa, utilizando como instrumento supostos acordos obtidos de maneira coercitiva”.

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A denúncia destaca ainda que os idosos afetados sequer sabiam que estavam associados à AAPB.

“Efetua descontos referentes a contribuições associativas diretamente dos benefícios previdenciários dos idosos, os quais afirmam não ter se associado à entidade ou assinado qualquer documento autorizando o desconto. Não sabem, sequer, onde fica a sede da associação”, diz o Ministério Público.

A investigação mostra que os aposentados eram surpreendidos ao receber seus proventos mensais com uma rubrica desconhecida nos contracheques: “Dessa maneira, os aposentados, no momento de receberem os seus proventos, são surpreendidos com uma rubrica nos seus holerites, intitulada contribuição AAPB”, aponta o MPPB ao pedir a suspensão das atividades da associação.

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Além da investigação conduzida na Paraíba, a Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal, também envolve a AAPB. De acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU), houve um aumento exponencial nos descontos realizados pela entidade entre 2021 e 2024. O montante passou de pouco mais de R$ 1,1 milhão para R$ 15,7 milhões em apenas um ano — crescimento de 1.259%.

A auditoria da CGU apontou ainda que a entidade carece de estrutura mínima para operar. Foi constatada a “ausência de capacidade operacional” e a existência de “dirigentes com indícios de serem de fachada”. O relatório cita a advogada Cecília Rodrigues Mota, que ocupou a presidência de duas entidades envolvidas: a AAPB e a AAPEN.

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A advogada é apontada como uma das operadoras do esquema. Relatórios mostram que “pessoas físicas e jurídicas relacionadas a Cecília Rodrigues Mota receberam R$ 14.081.937,35 das entidades associativas e das empresas intermediárias relacionadas às entidades associativas”.

Cecília é titular da empresa “Cecília Rodrigues Mota – Sociedade Individual de Advocacia”, que, segundo a PF, movimentou valores incompatíveis com o faturamento mensal de uma microempresa. Além disso, outra sociedade dela enviou R$ 520 mil para Eric Fidelis, filho de André Fidelis, ex-diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do INSS, justamente o setor que celebrava os Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com as associações agora investigadas.

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A Polícia Federal também detectou transferências entre escritórios e empresas ligadas a nomes do alto escalão do INSS. A Rodrigues & Lima Advogados, por exemplo, teria enviado R$ 630 mil para a Xavier Fonseca Consultoria, empresa da irmã de Virgílio Antônio Filho, ex-procurador-geral do INSS afastado após o avanço das investigações.

Fonte: wscom - tvsabugi