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Desastres ambientais no Brasil vão piorar, alerta Carlos Nobre

Desastres ambientais no Brasil vão piorar, alerta Carlos Nobre

23/02/2023 11h49
Por: Gilberto Martins Fonte: tvsabugi
Desastres ambientais no Brasil vão piorar, alerta Carlos Nobre

Cientista brasileiro referência mundial em mudanças climáticas, o meteorologista e climatologista Carlos Nobre alerta que os desastres ambientais no Brasil, como o ocorrido nos últimos dias no litoral de São Paulo, tendem a ser cada vez mais frequentes e mais graves. Com formação no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e coautor da pesquisa vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2007, Carlos Nobre explica que o aumento da temperatura global está diretamente atrelado às catástrofes no litoral brasileiro.

“Esse é o risco decorrente de nós continuarmos aquecendo o planeta, continuarmos lançando gases de efeito estufa, como dióxido de carbono, metano, óxido nítrico, entre outros. Se continuarmos aumentando, em 2023 teremos o recorde de emissões no planeta, vamos manter o aumento da temperatura e esses fenômenos que vivenciamos hoje serão brincadeira perto do futuro”, diz o pesquisador em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco.

almeida e vasconcelos

Segundo Carlos Nobre, evitar a escalada do aquecimento global é o maior desafio já enfrentado pela humanidade. “É muito importante, para evitar esses desastres no futuro, o Brasil e o mundo alcançarem as metas do Acordo de Paris para não deixar a temperatura subir acima de 1,5ºC. Esse é o maior desafio que a humanidade já enfrentou: reduzir pela metade as emissões até 2030 e zerar as emissões até meados do século.”

Pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e diretor científico do Instituto de Estudos Climáticos da Universidade Federal do Espírito Santo, Nobre ressalta que também é preciso preparar a sociedade, os sistemas econômicos e as populações das áreas de risco para enfrentar os fenômenos climáticos.

“No longo prazo, a prioridade é concentrar em políticas para tirar nossas 10 milhões de pessoas de áreas de risco. A maioria destas, inclusive, vive em áreas de alto risco: regiões em que não há solução da engenharia para tornar seguras, em que a única solução é tirar as pessoas dali”, defende o climatologista, primeiro brasileiro a ser eleito para a britânica Royal Society, uma das mais antigas na promoção do conhecimento científico.

almeida e vasconcelos

Desastres ambientais extremos ganharam espaço cada vez maior nos noticiários ao longo dos últimos anos. Apenas no último ano, ao menos quatro receberam atenção nacional: enchentes no sul da Bahia e norte de Minas Gerais ao longo de janeiro, deslizamentos em massa na serra fluminense em março, chegando a atingir a cidade histórica de Petrópolis. Em junho, Pernambuco foi fortemente afetado por sua pior enchente no século. Em dezembro, vários municípios de Santa Catarina ficaram alagados.

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O ano de 2023 não começou diferente. No dia 8 de janeiro, enquanto o Congresso Nacional era atacado por golpistas, o presidente Lula visitava o município paulista de Araraquara, um dos mais atingidos por chuvas intensas que provocavam danos estruturais, deslizamentos, cortes de energia e quedas de árvores. Cinco pessoas morreram em meio à tragédia.

Na segunda metade de fevereiro, o mesmo estado volta a ser vítima de uma catástrofe ambiental. Ao menos 40 pessoas morreram, e outras 2,5 mil estão desabrigadas em decorrência das enchentes que atingem o município de São Sebastião e as cidades ao redor. Segundo Carlos Nobre, enquanto as temperaturas globais permanecerem elevadas, esses desastres seguirão acontecendo com frequência. Até que o aquecimento global seja solucionado, resta ao Brasil se preparar e se equipar para lidar com o pior.

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Confira a entrevista:

Congresso em Foco – Desastres ambientais se tornaram um fenômeno recorrente no litoral brasileiro desde o início da década. O que pode estar provocando isso?

Fonte: Congresso em Foco