A Ética como ciência normativa se traduz em princípio da conduta humana, estabelece diretrizes no exercício de uma profissão, estipulando os deveres que hão de ser cumpridos no desempenho de uma atividade profissional, também denominada filosofia moral. No Século VI a.C. Pitágoras de Samos (c. 570 – 495 a.C.), que foi um influente filósofo e matemático grego pré-socrático, fundador do Pitagorismo, e embora famoso pelo Teorema de Pitágoras, era também um místico que via os números como a essência de todas as coisas, fundou uma escola filosófica/religiosa em Crotona ou Crotone, que é uma cidade histórica no sul da Itália, na Calábria, famosa por ser uma antiga colônia grega (Magna Grécia), lar do atleta Milo e do filósofo/médico Alcmeão. Também pode se referir ao cróton, uma planta ornamental de folhagem colorida e resistente, ou a uma rede de academias. Pitágoras também desenvolveu algumas das primeiras reflexões morais, afirmando que a natureza intelectual é superior à natureza sensual e que a melhor vida é aquela dedicada à disciplina mental. Seguiram-se os Sofistas, a exemplo de Sócrates, em que a virtude surge do conhecimento e a educação pode conseguir que as pessoas ajam de acordo com a moral. Platão, que enunciava, o mal não existe por si só, é apenas um reflexo imperfeito do real, que é o bem, elemento essencial da realidade. Afirmava, também que na alma humana, o intelecto tem que ser soberano, figurando a vontade em segundo lugar e as emoções em terceiro, sujeitas ao intelecto e à vontade. Aristóteles, que considerava a felicidade a finalidade da vida e a consequência do único atributo humano, a razão. Para Sócrates, as virtudes intelectuais e morais seriam apenas meios destinados à sua consecução.
Segue o Estoicismo, pela qual a natureza é ordenada e racional e só pode ser boa uma vida que esteja em harmonia com ela. Embora a vida seja influenciada por circunstâncias materiais, o indivíduo tem que se tornar independente desses condicionamentos através da prática de algumas virtudes fundamentais, como a prudência, o valor, a temperança e a Justiça. E o Epicurismo, que identificava como sumo bem o prazer, principalmente o intelectual, e tal como os estoicos, preconizavam uma vida dedicada à contemplação. Já no final da Idade Média, Tomás de Aquino viria a fundamentar na lógica aristotélica os conceitos de Santo Agostinho do pecado original e da redenção por meio da graça divina. Desse, modo a Ética é a mais pura razão aplicada no compreender a natureza, pois ela nada tem a ver com deveres. Por isto que, para Spinoza, quem age por dever não é autônomo, não é livre, age por mandamento. A Ética é a definição (ou apresentação genética) do ser do homem “tal como ele é” e demonstra “porque” o homem é tal como é. Assim se recupera o sentido grego de Ethos: modo ou mania de ser.
Dr. Anísio Marinho Neto

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