O planeta Terra tem sido testemunha de tantos sons de guerras, de agonias e de escárnios que toda a humanidade se dá conta de que já está passando o momento de parar. O que a humanidade criou deverá ser freado somente por ela mesmo. Já houve tempo por demais suficiente para se concluir que não se pode esperar mais que os Deuses desçam das montanhas ou de suas nuvens para salvar a humanidade. Sempre a solução esteve na humanidade, bem dentro da sua consciência. O problema mais grave que afeta a humanidade não tem causas exteriores a ela, mas sim intrínsecas a todos os indivíduos. O advento do desenvolvimento da inteligência na espécie gerou a possibilidade de criarmos a ciência e a tecnologia. Essas, edificadas por todos dos homens, se desenvolveram rapidamente, deixando para trás o que deveria ter ido à frente: um desenvolvimento ético e moral. Nesse campo, infelizmente, ainda estamos nas cavernas: pobres “neandertais”. E mais hodiernamente nos ronda a IA (Inteligência Artificial), como campo da ciência da computação que desenvolve sistemas e máquinas capazes de simular a inteligência humana para realizar tarefas, como aprender, raciocinar, detectar padrões e tomar decisões. Ela utiliza grandes volumes de dados para evoluir de forma independente, indo além da programação tradicional. Os mais graves problemas que a humanidade apresenta poderiam ser resolvidos com uma maior evolução da ética interna a nós mesmos. Os discursos religiosos são moralistas, e todos são éticos, mas, ao acabarmos nossas orações, vamos furtar frutas do pomar do vizinho, tentar burlar as normas ou o governo. Os governantes teriam de ser uma espécie de “síndicos” dos países. Não deveria caber a eles assistir, mas sim criar condições para que o trabalho, de cada um, possa assistir a sua família.
Não é papel do “síndico” dar, mas criar a possibilidade para que cada um possa ter e, mais importante, possa ser. Quando cada um dos homens tiver a consciência de que ser é mais importante do que ter, a humanidade não mais terá ética, mas, sim, será ética. É necessário para compreendermos um conceito, a existência de seu contrário: “um peixe”, nos ensinou Einstein, não sabe que existe o ‘não-oceano’, é preciso que um pescador o tire da água, mas aí já será tarde demais. Esperamos que deixemos de conceituar ética por estarmos tão imersos nela que seria impossível a compreensão de uma humanidade não-ética Isso acontecerá um dia, esperamos. Um dia não mais existirá um Hitler para cada Gandhi. E esse dia chegará quando todos souberem “por quem os sinos dobram, eles dobram. por nós”. Na lição de Miguel Unamuno “Serei eu como acredito ser, ou como os outros acreditam que sou? Aqui é onde estas linhas se tornam uma confissão diante da ignorância e do desconhecido para mim mesmo. Aqui é onde eu crio a lenda onde me enterro.” Assim, indubitável que o Direito contribui para que ética e moral compatibilizem-se com o avanço da ciência e da tecnologia. Sendo curial a influência que exerce a cultura na busca incessante do ter em detrimento do ser.
Dr. Anísio Marinho Neto

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