A juíza emérita Helena Alves de Souza, primeira mulher a assumir a função de magistrada no Judiciário paraibano, faleceu na noite dessa sexta-feira (dia 14), aos 101 anos de idade. Internada no Hospital da Unimed desde a última quarta-feira (12), morreu de causa natural. O velório está ocorrendo na Casa Mortuária São João Batista, e o sepultamento será realizado às 14h, no Cemitério Senhor da Boa Sentença.

A primeira juíza da Paraíba nasceu em Guarabira, no dia 19 de março de 1923, filha do casal Joana Alves do Nascimento (dona de casa) e Luis Alves Guilherme de Souza (barbeiro). Estudou no Colégio Nossa Senhora das Neves e no Liceu Paraibano. Cursou Bacharelado em Direito na primeira turma da Faculdade de Direito da Paraíba, entre as 4 mulheres dos 34 alunos que concluíram o curso em 1955.

Aprovada em concurso público do Tribunal de Justiça da Paraíba em 1957, Helena Alves de Souza assumiu a magistratura num ambiente predominantemente masculino. Foi também a primeira juíza eleitoral, lotada inicialmente na comarca de Pilões, depois removida para Cabedelo, onde atuou durante o maior tempo em que exerceu a profissão.

Seu trabalho como juíza na comarca de Cabedelo foi bruscamente interrompido em fevereiro de 1969, quando foi afastada de suas funções e aposentada compulsoriamente pelo AI-5. Para contar essa história, entre outros documentos, um painel com a trajetória de Helena Alves consta no Memorial da Justiça Eleitoral da Paraíba, produzido a partir do acervo pessoal, de jornais da época.

Após a cassação, assumiu a função de professora, ajudando a fundar a primeira escola pública de Cabedelo. Mais tarde, lecionou a disciplina Organização Social e Política do Brasil (OSPB) no Colégio Estadual Santa Júlia, no bairro da Torre. Com o processo de redemocratização do país, Helena Alves foi anistiada e voltou a exercer sua função no Judiciário. Mas, pela decepção sofrida e já com tempo de serviço, permaneceu um curto período e pediu a aposentadoria, arquivando definitivamente o desejo de exercer o cargo que tanto sonhou.

A primeira juíza da Paraíba não teve filhos, mas deixa muitos sobrinhos, entre eles a jornalista Silvana Sorrentino; as professoras Rossana Lianza e Gianna Sorrentino; o servidor público Márcio Luis; a engenheira Alana Meira e o sobrinho-neto Fábio Lucas, servidor do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
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