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Caso Patrícia Roberta: o que se sabe e o que falta ser esclarecido

Caso Patrícia Roberta: o que se sabe e o que falta ser esclarecido

28/04/2021 22h47
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Por: Gilberto Martins Fonte: G1-PB
Caso Patrícia Roberta: o que se sabe e o que falta ser esclarecido

Nesta quarta-feira (28), Jonathan Henrique, suspeito de matar a jovem Patrícia Roberta, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça da Paraíba. De acordo com os autos da audiência de custódia, a juíza Virgínia de Lima Fernandes homologou a prisão por considerar Jonathan uma “pessoa que já demonstrou sua periculosidade latente” e “risco concreto à ordem pública”.

Na audiência de custódia, Jonathan disse que mora sozinho e que Patrícia estava em seu apartamento no final de semana. Disse ainda que ele consumiu maconha, bebida alcoólica e LSD no sábado (24) e que não se recorda com detalhes dos fatos.

G1 entrou em contato com a defesa de Jonathan mas não teve retorno até a última atualização desta matéria.

Abaixo, entenda as informações sobre o crime coletadas até agora.

 

A chegada de Patrícia em João Pessoa

 

Patrícia, que é de Caruaru, veio a João Pessoa a convite de Jonathan. Eles se conheciam há cerca de 10 anos, de acordo com a Polícia Civil. Eles teriam estudado juntos em Caruaru, onde Jonathan chegou a morar.

De acordo com delegada Emília Ferraz, Patrícia confidenciou a uma prima que estava conversando com um ‘antigo namoradinho’. Na quinta-feira (22), ela disse à prima que Jonathan a chamou para passar o fim de semana na casa dele, para que ela conhecesse João Pessoa.

Patrícia fez sua primeira viagem interestadual. Chegou em João Pessoa na manhã de sexta-feira (23). Jonathan teria combinado de ir buscá-la, mas não foi e disponibilizou um carro por aplicativo para levá-la até a sua casa.

No sábado (24), Jonathan deixou Patrícia trancada no apartamento, dizendo que precisava resolver uma ‘situação’. Por chamada de vídeo com a mãe, Patrícia disse que estava triste porque eles teriam combinado de passear.

Segundo as trocas de mensagens com a mãe, Jonathan só chegou no domingo (25) no apartamento. Patrícia avisa que Jonathan chegou e que os dois iriam juntos para Caruaru. A mãe de Patrícia, Vera Lúcia, não conseguiu mais falar com a filha.

A família de Patrícia veio para a João Pessoa e registrou o desaparecimento da jovem na noite de segunda-feira (26). As polícias Civil e Militar iniciaram as buscas por Patrícia.

Os policiais foram até onde Jonathan morava, em Gramame. Na madrugada de terça-feira (27), uma testemunha contou que viu Jonathan com algo que seria um corpo enrolado em um tapete. A partir daí, a polícia iniciou as buscas por Jonathan e por esse possível corpo.

O corpo de Patrícia foi encontrado em uma mata no Novo Geisel, nas imediações de onde Jonathan morava, na tarde de terça-feira.

Jonathan Henrique é suspeito de matar Patrícia Roberta, em João Pessoa — Foto: Walter Paparazzo/G1

Jonathan Henrique é suspeito de matar Patrícia Roberta, em João Pessoa — Foto: Walter Paparazzo/G1

 

 

Quem é o suspeito

 

Jonathan Henrique, de 23 anos, morava sozinho em Gramame. Tem passagens pela polícia enquanto menor, por furto e ameaça. Em depoimento, a companheira de Jonathan, que também está grávida dele, contou que o jovem faz uso regular de maconha mas que ‘já usou todo tipo de coisa’ - inclusive, a jovem também informou a polícia que os dois teriam passado o sábado (24) usando drogas em um apartamento em Mangabeira.

De acordo com Emília Ferraz, as publicações nas redes sociais de Jonathan apontam para o uso de cocaína e uma “mentalidade que seria fora do normal”. A perita Amanda Melo também informou que irá traçar um perfil psicológico do suspeito, através dos materiais encontrados no apartamento.

Segundo Amanda, o apartamento de Jonathan mostrou que ele seria uma pessoa ‘extremamente organizada’ e pela forma que o corpo foi descartado pelo suspeito - com duas camadas de lençol, toalha e saco plástico no rosto, pés amarrados, um saco de colchão cobrindo todo o corpo e fios prendendo - mostra que ele teve um ‘preparo’ para o crime.

 

O que foi encontrado no apartamento do suspeito?

 

Durante a perícia, foram encontrados livros supostamente relacionados a ocultismo, um altar, uma lista com nomes de mulheres (incluindo o de Patrícia e o da companheira atual de Jonathan), fronhas com possíveis manchas de sangue, roupas masculinas com algo similar a sêmen, manuscritos 'perturbadores', indícios de acesso a deep web.

Todo este material, além de celulares, um tablet, pen drives e notebooks e um outro manuscrito que seria de Jonathan mas foi encontrado com Marcos dos Santos - amigo do suspeito que teria ajudado a escondê-lo em sua casa em Mangabeira - também foram recolhidos pela polícia. O bilhete encontrado com Marcos apontaria um pedido de Jonathan para solucionar a "situação".

 

O celular de Patrícia ainda não foi encontrado pela polícia.

Roupas e itens pessoais de Patrícia, encontrados em tonel de lixo, em João Pessoa — Foto: Luana Almeida/G1

Roupas e itens pessoais de Patrícia, encontrados em tonel de lixo, em João Pessoa — Foto: Luana Almeida/G1

 

O que será analisado?

 

O Instituto de Polícia Científica, de acordo com a perita Amanda Melo, irá analisar os manuscritos e comparar com a letra de Jonathan, além de fazer o exame de DNA nos materiais encontrados no apartamento e a análise do conteúdo dos celulares e notebooks.

Segundo Amanda, será investigado se Jonathan trocou mensagens sobre o crime e se ele chegou a comentar algo relacionado ao crime.

De acordo com a Polícia Civil, também serão feitos, além do exame cadavérico, exames toxicológico, sexológico e a coleta de material biológico que poderá ter material de contato com o suspeito.

 

Qual a causa da morte?

 

A causa da morte de Patrícia deve ser divulgada nesta quinta-feira (29), ainda segundo informações de Amanda Melo.

 

Qual a motivação do crime?

 

De acordo com a polícia, ainda não se sabe a motivação do crime. Após a prisão, Jonathan não se pronunciou sobre o caso.

Jonathan e Marcos, na Central de Polícia, em João Pessoa — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Jonathan e Marcos, na Central de Polícia, em João Pessoa — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

 

 

Denúncias de comportamento agressivo e abusivo contra mulheres

 

De acordo com a delegada, após a repercussão da morte de Patrícia, outras mulheres denunciaram Jonathan e seu comportamento ‘agressivo’ e o temperamento ‘explosivo’.

As denúncias foram feitas através do 197, onde é respeitado o anonimato. Segundo Emília Ferraz, foram muitas denúncias e todas relativas à personalidade e ao perfil de Jonathan, que “tinha um comportamento violento para outras mulheres em conduta de relacionamento amoroso”.

 

Qual o próximo passo da investigação?

 

Segundo Emília, o prazo de conclusão da investigação seria de dez dias, porém, diante das diligências, perícias, exames, há a possibilidade do prazo ser prorrogado.

Até o momento, além de Jonathan, Marcos dos Santos também está veiculado ao crime por ter acobertado Jonathan. Ele responde em liberdade, já Jonathan permanece na carceragem da Central de Polícia, em quarentena por 14 dias, e depois irá para o presídio do Roger.

A polícia irá investigar se o crime foi premeditado e se houve a participação de outras pessoas no crime, mas até o momento Jonathan é o único suspeito de ter executado Patrícia.

 
Carceragem da Central de Polícia de João Pessoa — Foto: Luana Almeida/G1

Carceragem da Central de Polícia de João Pessoa — Foto: Luana Almeida/G1