O governo federal trocou nesta sexta-feira (25) o diretor-geral da Polícia Federal. O delegado Márcio Nunes de Oliveira assumirá o cargo no lugar de Paulo Maiurino, que estava na função desde abril do ano passado.
A mudança no comando da PF foi publicada no “Diário Oficial da União” e é assinada pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. Funcionários da própria corporação foram pegos de surpresa.

Paulo Maiurino será secretário nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). Dias atrás, circulou informação de que Maiurino teria sido internado em SP para uma angioplastia. No entanto, a assessoria da PF negou a cirurgia e disse que o delegado havia apenas passado por exames de rotina.
Em fevereiro, a Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal ter concluído que o presidente Jair Bolsonaro cometeu crime ao divulgar informações sigilosas de uma investigação. A PF, no entanto, não indiciou o presidente, sob a justificativa de que ele tem foro privilegiado.
Em agosto de 2021, Bolsonaro mencionou informações de um relatório parcial da PF sobre um ataque hacker ao TSE em 2018 (que não comprometeu as urnas eletrônicas). O presidente usou os dados para tentar embasar suspeitas infundadas sobre a segurança das urnas.
O crime cometido na live, segundo a PF, foi o de divulgação de segredo.
Além disso, em dezembro do ano passado, a Polícia Federal afirmou ao STF que Bolsonaro teve atuação “direta e relevante” para gerar desinformação sobre o sistema eleitoral.

O novo diretor-geral da PF atuava até então como secretário-executivo do Ministério da Justiça, isto é, ocupava o segundo principal posto na hierarquia da pasta.
O novo diretor-geral da PF atuava até então como secretário-executivo do Ministério da Justiça, isto é, ocupava o segundo principal posto na hierarquia da pasta.
Entre outros cargos, Márcio Nunes de Oliveira também foi chefe do Serviço de Análise de Dados de Inteligência Policial da Divisão de Repressão a Crimes contra o Patrimônio e ao Tráfico de Armas e chefe da Divisão de Operações de Repressão a Entorpecentes da PF.
Quando anunciou a saída do governo, em abril de 2020, o então ministro da Justiça, Sergio Moro, disse que o presidente Jair Bolsonaro o havia pressionado a trocar o comando da Polícia Federal.
Na ocasião, quem ocupava o posto era Maurício Valeixo, ex-superintendente da PF no Paraná. Bolsonaro exonerou Valeixo em 24 de abril de 2020 e, no mesmo dia, Moro pediu demissão do Ministério da Justiça.
O presidente, então, nomeou para o cargo de diretor-geral da PF Alexandre Ramagem, diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Ramagem é amigo da família Bolsonaro e teve a nomeação suspensa por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que atendeu a um pedido do PDT. Moraes entendeu ter havido desvio de finalidade na nomeação.

O governo, então, em maio de 2020, nomeou Rolando Alexandre de Souza para a função de diretor-geral da PF. Rolando de Souza era subordinado a Ramagem na Abin quando foi nomeado e permaneceu no cargo até abril de 2021, quando Paulo Maiurino assumiu a função, indicado pelo ministro Anderson Torres.
Fonte: FolhaPress
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