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Cigarro eletrônico é prejudicial à saúde e porta de entrada para uso do tabaco, diz especialista da Rede Ebserh/MEC

Cigarro eletrônico é prejudicial à saúde e porta de entrada para uso do tabaco, diz especialista da Rede Ebserh/MEC

29/12/2021 13h33
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Por: Gilberto Martins Fonte: tvsabugi
Cigarro eletrônico é prejudicial à saúde e porta de entrada para uso do tabaco, diz especialista da Rede Ebserh/MEC

A quantidade de tabagistas no Brasil vem caindo, mas a situação ainda preocupa. Não apenas devido ao índice nacional de 9,8% de fumantes com 18 anos ou mais (Vigitel), mas também ao uso de cigarros eletrônicos no País, especialmente entre adolescentes e jovens, ainda que a comercialização desse dispositivo seja proibida. Na data de  29 de agosto é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, mas continuamos com a campanha durante todo ano devido o consumo exagerado do cigarro eletrônico em festas familiares em chácaras e sítios no sertão da Paraíba. A venda do cigarro eletrônico é proibida no Brasil, porém, não há uma fiscalização por parte das autoridades competentes para coibir a compra e o consumo do terrível cigarro eletrônico, que teve o seu consumo aumentado, principalmente pelos jovens. Muitos estão morrendo de infarto ou mesmo por Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI), causando surpresa aos seus familiares que, na maioria das vezes, não tem conhecimento do uso do cigarro eletrônico em festas promovidas entre amigos jovens.  

Além do cigarro clássico, outras formas de consumo do tabaco devem ser combatidas, como charuto, fumo de rolo e cigarros eletrônicos. Estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca), publicado este ano, mostra que o uso de cigarro eletrônico aumenta em mais de três vezes o risco de experimentação do cigarro convencional e mais de quatro vezes o risco de uso do cigarro. Em 2019, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, 0,6% da população já utilizava dispositivos eletrônicos para fumar no País.

Em 1989, cerca de um terço da população brasileira fumava (34,8%), mas com as campanhas educativas e as estratégias desenvolvidas por diferentes instituições, o quantitativo sofreu redução. “As campanhas mostrando que o cigarro é deletério e mata, que o cigarro amputa braços, dá infarto, dá derrame dá cânceres de pulmão, de próstata e de rim, aliadas a outras iniciativas, fizeram os índices de consumo de tabaco no Brasil arrefecer”, afirma Alexandre Araruna, médico pneumologista e preceptor do Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa. “Tem muito o que ser feito ainda, mas, proporcionalmente, há uma vitória”.

“O 29 de agosto é mais um dia que nós elegemos para combater o grande mal que é o tabaco, melhor representado pelo cigarro clássico, mas também pelas outras formas, como os dispositivos eletrônicos. É uma data extremamente importante. Não dá para abrirmos mão dela, pois a divulgação dos males do tabaco precisa ser feita por todos os meios possíveis. Ainda há muitas pessoas que precisam receber essa informação”, diz Alexandre Araruna. O pneumologista explica que, independentemente da apresentação feita para atrair consumidores, todas as substâncias presentes no cigarro são “extremamente agressivas e deletérias, para quem quer que use”.

A comercialização, a importação e a propaganda de cigarros eletrônicos são proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009 no Brasil, mas a ilegalidade reina. Quem consome alega que esse tipo de dispositivo não é tão prejudicial quando o cigarro clássico. Sobre isso, o especialista Alexandre Araruna é enfático: “Não existe meio mal. Todo meio mal é completamente mal”, o cigarro eletrônicos é um, entre muitos, dos mais perigosos e mata com sintomas de asfixia, quando o pulmão não atende a necessidade de respiração.

De acordo com o Inca, os cigarros eletrônicos expõem o organismo a uma variedade de elementos químicos gerados de formas diferentes: uma pelo próprio dispositivo (nanopartículas de metal); outra pela relação direta com o processo de aquecimento ou vaporização, visto que alguns produtos contidos no vapor de cigarros eletrônicos incluem carcinógenos conhecidos e substâncias citotóxicas, potencialmente causadoras de doenças como o câncer pulmonar e cardiovasculares.

“Com a inocência de um cheiro diferente, mentolado ou tutti-frutti, às vezes representado pelo cigarro eletrônico, a indústria do tabaco chega a grupos de jovens, que são os inocentes da história”, afirma Alexandre Araruna. “Ainda que o usuário não tenha pulado para o tabaco, ele já começa a pagar o preço do dano da inalação de produtos químicos”. O pulmão jovem, lembra Araruna, não tem muita proteção “e já existem casos de mortes bem documentados, não só nos Estados Unidos, mas em países da Europa, no Brasil e na Paraíba, inclusive”, os casos de óbitos já são elevados.

Fumante tem 50% de chance de morrer por razões ligadas ao tabaco

O pneumologista afirma ainda que a pessoa fumante vai ter a chance de morrer em pelo menos 50% das vezes por razões ligadas ao tabaco. “São números muito importantes que resultam em perda de idade e de qualidade de vida, queda na produção de uma cidade, de um Estado de um país. Além disso, naturalmente, amputa as relações humanas por doenças que são extremamente evitáveis, bastando para isso a cessação do hábito de fumar”.

Por vezes, o fumante imagina que só faz mal a si próprio, mas isso não é verdade “O fumante passivo paga um preço quase semelhante ao do fumante ativo. É um familiar que está na casa, um funcionário, um amigo, um colega que está ali por perto e, inocentemente, vai inalando ali aquela fumaça. Daí o fumante ativo pode vir a desenvolver doenças semelhantes às do tabagista ativo”.

A data será marcada no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW-UFPB/Ebserh), na segunda (30) e terça-feira (31) pela manhã, com uma ação educativa voltada a usuários e colaboradores. A ação tem o apoio da Sociedade Paraibana de Tisiologia e Pneumologia.

Sobre a Rede Ebserh 

O HULW-UFPB faz parte da Rede Ebserh desde dezembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. 

Vinculadas a universidades federais, essas unidades hospitalares têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, a os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde da região que as unidades estão inseridas.

Com informações do HULW-UFPB/Ebserh/MEC

 


 

Reprodução-tvsabugi.com.br