Vivemos um contexto de virada de chave no cenário de saúde global. O início dos anos 2020 foi profundamente marcado pela pandemia da Covid-19, que desvelou ao planeta algo que já estava em curso nos debates acadêmicos: a necessidade de médicos com domínio não só técnico-científico, mas capazes de integrar conhecimento clínico com o cuidado centrado na pessoa, comunicação, colaboração interprofissional, tomada de decisão, prática baseada emevidências e conduta profissional.

Esses domínios essenciais estão documentados na publicação da OMS (Organização Mundial da Saúde) intitulada " Global Competency and Outcomes Framework for Universal Health Coverage" (em tradução livre, “Estrutura Global de Competências e Resultados para Cobertura Universal de Saúde”), de 2022.

Em 2025, o MEC (Ministério da Educação) aprovou as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para Medicina e, dentre os pontos que mais se sobressaíram estavam: 1) excelência técnica e sensibilidade humana em todos os níveis de atenção à saúde e 2) o exercício médico deve ser orientado pelo: cuidado centrado na pessoa, na família e na comunidade, respeito à diversidade humana e promoção da equidade e da justiça social.

A coordenadora do curso de Medicina do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), Profa. Dra. Maria Alenita de Oliveira, enfatizou outros dois aspectos das novas DCNs. Um deles é caracterizado por trabalho colaborativo, atuação em equipe, liderança colaborativa e atuação em rede.

Essas competências dialogam com as evidências publicadas pela OMS e até pela revista Lancet no artigo “Challenges and Opportunities for Educating Health Professionals after the COVID-19 Pandemic” (em tradução livre, “Desafios e Oportunidades para a Formação de Profissionais da Saúde após a Pandemia de Covid-19”), de 2022.
“O outro ponto é a empatia e a escuta qualificada, que se tornam competências formais. Aqui, o médico deve ser capaz de integrar saberes clínicos, científicos, tecnológicos com empatia, responsabilidade, liderança colaborativa, escuta qualificada e autonomia crítica”, complementa Alenita, que é médica pneumologista.

Como isso se traduz no percurso de uma graduação?
A integração entre teoria e prática é uma das maneiras de balizar essa jornada formativa, com uma articulação permanente entre conteúdos básicos, clínicos e vivências assistenciais. Tudo isso contribui para desenvolver as competências de estudantes do curso de Medicina. No Unipê, a estrutura curricular se divide em três ciclos de 2 anos alinhados às DCNs:

As experiências práticas são diversificadas, longitudinais e alinhadas às competências exigidas do egresso do curso, incluindo um rodízio em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). Desse modo, a ampliação busca favorecer a aproximação dos estudantes em diferentes níveis de atenção à saúde, contextos assistenciais e graus de complexidade para desenvolver competências clínicas, relacionais, técnicas, éticas e interprofissionais.

“Um exemplo desse está nas áreas de Cirurgia, Urgência e Emergência: incorporamos o rodízio em Terapia Intensiva, possibilitando ao estudante vivenciar o cuidado ao paciente crítico, compreender a dinâmica das unidades de alta complexidade e acompanhar processos de tomada de decisão clínica que exigem integração entre diferentes especialidades e categorias profissionais”, explica a coordenadora do curso.
Já a Saúde Coletiva está sendo trabalhada no curso do Unipê de maneira transversal, integrada e adaptada a todos os ciclos da formação. A proposta pedagógica parte do entendimento de que os princípios, métodos e ferramentas da Saúde Coletiva estão sempre relacionados à prática médica, independentemente da especialidade escolhida no futuro pelo profissional egresso.

“Assim, possibilitamos ao aluno reconhecer como os determinantes sociais, epidemiológicos, territoriais, ambientais, econômicos e culturais interferem nas condições de saúde dos indivíduos e das populações, bem como compreender a importância do planejamento, da vigilância, da prevenção, da promoção da saúde e da organização dos serviços no exercício da atividade médica. A estratégia contribui, portanto, para uma formação mais integrada e holística, permitindo ao estudante relacionar o cuidado individual às necessidades coletivas e compreender a atuação médica dentro de redes e sistemas de saúde”, pontua Alenita.

Marcela Lourenço Lacerda, que está no último período do curso, diz que o agora ciclo de internato tem sido um espaço para “colocar em prática tudo o que aprendi ao longo da graduação, sentindo-me preparada para enfrentar os desafios dessa nova etapa profissional. E hoje, olhando para toda a caminhada e para a médica que estou me tornando, tenho a certeza de que fiz a escolha certa pelo Unipê.”

Telemedicina, extensão e responsabilidade social
O SUS (Sistema Único de Saúde) ocupa uma posição central na formação de médicos no Unipê. O campo da Telemedicina, nesse sentido, foi incorporado gradualmente às atividades do curso, especialmente quanto às práticas em Saúde Coletiva, no qual estudantes têm contato supervisionado com novas modalidades de assistência e com recursos tecnológicos aplicados ao cuidado em saúde.

Um exemplo da execução da Telemedicina está no projeto de extensão Mandaçaia, que aprofunda questões relativas à Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) e propicia uma entre estudantes e a comunidade Potiguara integrante da ação, que reside no município de Baía da Traição, litoral norte da Paraíba.
“Trata-se de um território marcado por uma singularidade étnico-cultural e desafios geográficos. A região abriga povos tradicionais (pescadores e catadores de mariscos) e está inserida em áreas de influência das comunidades indígenas Potiguaras. Essa população apresenta vulnerabilidades específicas e a prevalência de algumas doenças exige um modelo de atenção que respeite os saberes locais, mas que garanta a tecnologia da Telemedicina e o suporte especializado para evitar complicações agudas”, informa Alenita.

A estudante Marcela também participou de projetos de extensão na Instituição e disse que eles contribuíram para aprofundar conhecimentos e desenvolver o raciocínio clínico. “Essa participação ampliou minha formação e me proporcionou experiências e conhecimentos que foram muito além do que seria possível adquirir apenas em sala de aula”, diz.

Para a reitora do Unipê, Profa. Dra. Mariana de Brito Barbosa, o equilíbrio dessa formação médica contemporânea está justamente na união entre excelência acadêmica, experiência prática e desenvolvimento humano. “Aqui, buscamos formar profissionais preparados para os desafios da saúde com sólida competência técnica, visão crítica e uma compreensão genuína das necessidades das pessoas e das comunidades que irão atender.”
Vestibular de Medicina do Unipê
O Unipê está com inscrições abertas até 9 de outubro de 2026 para o Vestibular de Medicina 2027.1, em unipe.edu.br/processo-seletivo/medicina-processos-seletivos. A avaliação presencial está marcada para 18 de outubro de 2026, das 10h às 14h, conforme o calendário do processo seletivo. Mais informações sobre o curso, como diferenciais, parcerias com os sistemas de saúde público e privado para campos de prática, projetos, entre outros, podem ser conferidas em cursos.unipe.edu.br/grad-medicina-unipe.
Jornal da Paraíba - tvsabugi
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